Quem sou eu

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Catálogos

Doce e singela sombra das trevas,
Carnificina direta na carne...
Pele morena; cheirosa.
O gume nas entranhas...
Tiro dele, o que não fora meu...

Suas fotos penduradas,
Grampos enferrujados... Imundos.
O dourado não é nobre,
Meus motivos são os mesmos.
Aquele vestido tingido.

P.T.

Explanei uma coisa... Já empoeirada.
Meu tempo se existiu, passou.
Dispensei meus santos... Meus joelhos cansados.
Nosso amor morreu há tempos...

Suas fotos nas vitrines, a chuva leva...
Muito mais que a tinta da minha calça,
Muitos mais que o resto de dignidade.
Não condene meus dramas.

Explanei uma coisa, mas você se esqueceu.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Mea culpa nº 2100

Anos de destruição, nós esperamos.
Datas grifadas no calendário;
Temi tantas coisas, por tanto tempo.
Meus medos sem sentido.
Ainda não creio numa volta.
Ainda lamento aquela noite.
Estou enterrado contigo.
Morto por dentro. Dilacerado, sozinho.
Mais uma vez, essa passagem eu cito.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Pó de Giz


linda como uma facada no peito...
a morena me olhando, sorrindo com minhas convulsões...
quadris largos, de parideira...
doce vadia, canta a canção...

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

eu tinha uma morena

Meu querer bem, meu amor insólito...
Não quebra nos rochedos igual o mar,
Avança pela praia, por suas coxas.
Mesmo que não esteja a me olhar.


Minhas vontades sufocadas, voam alto.
Pra longe da esquina; da rua de baixo...
Meu amor, minha Morena caracol...
Voa pra mim, balançando seus cachos.

As ondas não param no pier, por ele deslizam...
Meus desejos não cessam aqui,
Estou indo ao teu encontro...

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

A. F. Q. T. Chá

Conta a história que era assim;
Nos bares, nas varandas... Sempre...
Mãos no queixo, vestidos floridos.
Olhando os outros, acolhendo estranhos.
Seus sorrisos vermelhos, ensolarados.

A fraqueza (minha), visível nos quadros.
Ainda assim, remo. Sigo a seta ao abismo.

Domingo, Setembro 13, 2009

Ana e Hilda

A morenice me abandonou;
Foi para o mar, de lá ela é...
Sugou meu amor; se foi...
Morena de lentes, avista tudo e todos...
Meiga comigo, mas se foi...
Não espero mais no portão,
Ninguém dobrará a esquina,
Só deixou o espaço;
Só o buraco dentro de mim...

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

263 ORGASMOS

Tantos cabelos, tantas mulheres...
Não choram por crápulas.
Estão em elevadores, pelas ruas; nos bares...
Procuro palavras, ações pra definir...


Tantas cartas trocadas...
Ainda um medo por aqui,
Tantas coisas, tantos dedos...
Quero cuidar de alguém,
Que aqui não está...
Longe do meu mundo, do meu reino.


Não estou em suas gavetas,
Não estou mais só, aqui...
Corro por fora, para chegar ao pote...
Aos cabelos brancos que ali na esquina me esperam.

Domingo, Setembro 06, 2009

22:50

Estou aqui, pensando coisas.
Não vou avisar, nem premeditar.
Seu domingo foi ruim?
Tente me assustar, não vou embora.
Leia a bula antes,
Sua doçura sufoca o féu.
O andar desinibido; As idas ao mercado.

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Mãos Atadas

Não acredite em mim...
Sempre é com negação,
Mas é só assim que consigo vomitar...
Essas falas falsas do coração.


A sigo pelas ruas, a cada esquina me escondo.
Do que planejo lá adiante,
Vendo seus livros, sua mochila pink...
Esperando uma brecha,
Pra uma abordagem infante,


Doses de Blues, nas tardes distantes;
Não durmo mais, não sinto mais...
Vai me emprestar seu Kerouac?
É a desculpa que preciso,
Pra sentir seu hálito tão perto.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Vontade de te esquartejar enquanto Cantrell sola

Um tiro no ouvido, resolveria tudo?
Um pano limpo... Vermelho, ali no chão...

Branca; lésbica.
Levou tudo dele...
Suas moderações, seus moderadores.

Não como mais defuntos,
Estou limpo há duas semanas.

Domingo, Agosto 30, 2009

Geraldo

Augusto seguia firme em suas metas para o ano novo; a lista de sempre no armário da cozinha. A semana estava difícil; problemas no trabalho, intimações cobrando comparecimentos, contas atrasadas, a energia estava por um fio literalmente.
Não era a vida esperada por alguém que anos antes era bem cotado em todos os “setores” da vida, como ele mesmo falava. A louça em cima da pia, alguns restos de marmitas pela mesa, um pé de sapato ali, outro aqui... Homens geralmente são desorganizados, contrários a faxinas, vassouras...

(...)

Descendo aquelas escadas úmidas, quase escorregou na afobação de um encontro depois de anos-luz de solidão.
Não esperava por alguém tão jovem, ela não aparentava mais de 22 anos, estava sentada, folheando um guia de tv a cabo... Cabelos ora pretos, ora castanhos na altura dos ombros, pele sardenta...
Augusto se aproximou rodeando o banco e pensando o que falar:
- Olá! Acho que você é a... – Num instante, fora interrompido:
- Sim, sou a Sabrina... Como vai você?
- Pra falar a verdade, meio confuso com essa situação.
A “situação” em si era complicada, uma moça mais jovem, um problema a ser resolvido, além de uma atração mútua no ar, no entendimento dele é claro. Sabrina não era o tipo “gostosa”, mas possuía um charme incomum, era de altura média, bochechas vermelhas, unhas bem feitas, vestia calça jeans surrada e uma jaqueta preta com camiseta branca por baixo, trazia consigo uma mochila em tons de cor militar.
- Te entendo Geraldo, o problema é que também sou vítima dessa situação, como você mesmo chamou o problema.
- Não tô jogando a culpa em você, mas você sabe né...
- Sabe o quê?
- Te conheci numa sala de bate-papo, tava meio bêbado, daí eu achei que...
- Ah sim, não precisa terminar... Esqueça isso, sou resolvida...
Após alguns instantes de conversa, o clima antes calmo, se tornou mais denso, com esquivas tentativas de Augusto na aproximação com a moça. A jovem sardenta logo foi ao ponto, e questionou sobre o que seria Ettus.
- Não faço idéia, só tomei conhecimento disso através de você.
Sabrina já nervosa o entregou um desenho primário:
- Não sou uma artista, mas dá pra entender...
- Como eu disse, não conheço esse tal Ettus, minha intenção era só um encontro...
- Assim fica mais difícil... Não haverá um encontro sem me dar informações... – Sabrina havia se comprometido a dar uma colher de chá ao rapaz se ele ajudasse em sua tal pesquisa. O cheiro do perfume barato da moça mexia com a imaginação do cara.
- Entendo você, mas realmente esse assunto não me interessa. Tive, recentemente, problemas com a Polícia e não quero mais confusão. Vasculharam a minha vida por causa de um bilhete...
- Fique tranqüilo, Augusto!
Choveu por vários dias, a cidade estava coberta por uma cortina de neblina. Faziam 12º C conforme o relógio da praça informava. Em frente a eles, haviam um bar desses em que os jovens descolados da cidade se encontram. Lá dentro a névoa do cigarro predominava. Augusto pensou em convidá-la, mas não tinha coragem. Definitivamente seu tempo havia passado.
- Bem, acho que eu vou indo... Está tarde!
- Onde estão os seus modos Augusto? Não vai me convidar pra um café...
- Só tem um bar ali né... Se não se importar – disse Augusto com um riso na face.
Os dois se levantaram e atravessaram a rua. De mais perto a névoa parecia mais densa, muitas moças dançando, alguns caras na porta fumando e com um drinque qualquer na mão...
Não havia um lounge, só amontoados de mesas e um pequeno palco onde três caras tentavam um Plush, do Stone Temple Pilots. Augusto pediu uma cerveja e perguntou se Sabrina o acompanhava...
- Prefiro um Martini, Gú... Posso te chamar assim?
- Sim, sem problemas...
Bebida servida, ali começava um hiato na conversa. Por dez minutos nada foi dito. Os dois ali de costas pro balcão, olhando para o palco... Dessa vez a banda tirava Boys Don’t Cry do The Cure.
Sabrina era controversa, em alguns momentos parecia estar flertando; outras saia totalmente do ar. Já passavam das 00:15 hs, e Augusto já estava entediado.
- Sabrina! Eu recebo essas mensagens desde janeiro passado.
A moça já batia palmas com as baladinhas executadas...
- O que você disse?
- O que você ouviu... Recebo mensagens há oito meses. Não sei de onde veio, mas isso tem me causado problemas.
- Ué, mas você deveria ser mais cauteloso, no primeiro bilhete que recebe já quer parar o mundo. Mas entendo a agonia, por isso quero te ajudar... Mas agora vamos curtir a noite. – Sabrina deixou o copo no balcão e foi dançar.
Augusto permanecia imóvel, já na 4ª cerveja, mais à vontade resolveu aproveitar aquela noite, a primeira em muitos meses...
Relógio despertando, lá fora o barulho dos carros anunciavam que o dia amanhecera. Uma dor de cabeça terrível, uma vontade imensa de um copo d’água...
Augusto ali na pia do banheiro, olhou pela janela e via o mundo acordando guardou sua escova de dente no armário, muito sujo por sinal, conferir a barba por fazer e pensou na noite anterior...
“Menina linda aquela... Pena que você foi burro”.
Enquanto caminhava para a cozinha, algo lhe chamou a atenção...
- Peraí, ela me chamou de Geraldo?

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Andante

Felicidade passa na rua debaixo;
Portas abrindo ao teu sorriso.
Ouço o salto alto, o zíper abrindo.
Deixa pra lá, a minha eu laço.


Felicidade passa por mim;
Sinto mas não vejo,
Vejo meus erros ainda aqui,
Sua calda azul... Sem rastro.


Preciso disso.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

A falta que você faz

Quantas cartas?
Quantas madrugadas?
Quantas árvores e abismos?
Quantos mistérios;
Serão necessários... Para uma nova carta?


Anônima como a estrela,
Que brilha por lá, não mais aqui...
Não precisamos de coragem,
Nem de vidraças atiradas em pedras..


Sinto falta daquela prosa.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

97 cartas e um funil

Tantos espinhos, tantos perfumes...
Estou lendo e não percebo;
Nas entrelinhas a gentileza...
Que planto tão bem, mas colho só a semente.
Tantas letras agrupadas, e não formam a trilha.


Pedaços de carne; pele morta.
Ficam nas paredes, nas entranhas do abismo.
Refaço quadros, reviro minhas caixas.
Rego a flor na tela; ela não é minha.
Leio 97 cartas... Você em todas;
Hálito doce, voz suave que ainda ouço aqui.

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Violão de Nylon

Sexta se aproxima, como o esquecimento...
Sexta chance eu tenho, para manter o pensamento.
Sexta se aproxima, logo na esquina...

Sem espaço para correção,
Sem margem de erro,
Uso a rima do refrão.

Domingo, Agosto 16, 2009

Seus Limites

Você fala das coisas, cita tantos profetas...
Antigos, passados... Em demasia; esquecidos.
Mas me cobra respostas, que procuro aqui.
Não seja a vidraça, não a culpe...
É só uma passagem; uma etapa.


Tire esse peso daí, você é a mais linda;
Não tema o outro lado, pode ser só um começo.
Esqueça o oásis, esqueça as canções.
Jogue seu olhar debaixo do tapete,
Migalhas que sustentam nossos medos,
Nossas manhãs em claro... Nossos beijos sem fim...


A coragem é a pedra, o limite a vidraça,
Espere o dia amanhecer, falta pouco...
Talvez seja apenas uma janela.



dedicado a um elfo, um anjo que numa manhã me acordou.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

O vento da fortaleza

Leva a noite e a sua sombra.
Leva meus sonhos e planos...
Leva seus quadris, leva seu suco.

Leva o tempo, a minha lista.
Leva meu ânimo, meu fôlego.
Leva a Morena descalça,
Leva ele dela, ela de mim...

Leva a visão do surdo,
Leva a matriz do mundo.
Leva meus dias...
Levo um tempo pra assimilar.

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Abismos

Que bom teus olhos sorrindo...
Que bem maior eu estar na lembrança.
Viajo tão longe, vou até o fim do horizonte...
Procuro lá uma boa viagem,
Uma companhia que me faça pensar...
Nas tardes frias na beira do mar.

Sem você.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Sua Gorjeta

Quero falar das sombras, das trevas perdidas num copo de maria-mole...
Matando o fígado, dissecando qualquer sonho meu.
Cobro quanto por esses sorrisos amarelos? Falsos feito o diabo.
Passe o recibo, deixa o Canhoto cobrar mais tarde...
Pendure em pregos, em paredes sujas...

Úmidas

Quero falar das doenças, das mazelas tão cantadas;
Rendem sucessos a todos. Mas ninguém me chama pro café...
Nas reuniões regadas por falsos profetas..
Queria ser o do retrato, bonito e limpo.
Na lápide mais tarde, veja meus poros, cheios de você.

Quando eu morrer quero ser feliz no inferno.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

77% ALCANÇADO

As mesmas barras sujas de orgulho,
Dobradas pra dentro, escondendo a situação...
A deriva em que encontrei novas canções.
Não como os fanáticos da tarde...
Os jovens que ali caem, sobem por dutos...
Pra onde for a Bela formosa, antes do demônio...
Sua felicidade falsa, graça alcançada.

Meus demônios não têm preço, nem coragem.
São como o brinde que acompanha o lugar comprado,
Junto ao meu próprio Deus forte,
Que criei numa tarde, enquanto te esquartejava da minha vida.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Jamais

Jamais pensei em estar do teu lado,
Por razões claras e definidas,
Você me disse hoje, confirmando,
Sua devoção ao outro que mata,
Todos os dias, aos poucos.

Jamais sonhei com seu cheiro,
Por razões de distância e solidão,
Você pede coisas, que busco em torres altas,
Morrendo esquecido em horas...


Jamais hoje, senti sua falta.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Para Uma Maria Triste

Aceita ouvir uma declaração?
Antiquada como novos boleros...
Dramáticas, melosas...
Trágicas como o revés que tenho,
Todas as vezes que busco seu olhar triste,
Cabelos negros como as minhas trevas,
Trevas lindas, onde sou feliz.
Aceita ouvir um consolo,
Simples e direto, partindo de um tolo...
Apaixonado e cafona,
Como um bolero do Gardel.

Uma Terça Parte Da Dor Sem Fim E Precoce

Não faça de mim mais um erro,
Não sou o seu espelho quebrado,
Nem seu dia perdido... Por outro perdoado.
Saia daí, o sol está aqui... Todos dizem isso.


Só seus cabelos negros, me dizem,
A chantagem matinal, o mesmo copo de café.
Por sobre minhas tentativas ilegais,
Quebrando regras alheias.
Eu seguro sua mão, enquanto sangra o que pode.



Não sou ele, não faça contas;
Meus números divergem,
Das suas dores exageradas,
De seu atraso eterno.
Dos seus erros que compartilho.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Nº 11

Você é o barco no horizonte...
Distante de qualquer pensamento;
Distante do meu porto,
Podre nas beiradas, sem cais.
Você é a flor morta num vaso;
Esquecido na estante,
Sem cheiro, sem cor...
Esse trágico jeito de mirar,
Por esses olhos pretos,
Pedindo uma lição.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Seu Segundo Delírio Meu

Estarei com você nessa tarde,
Seja numa mesa, ou em pensamento...
Pra pular muros altos; só nossos.
Pra enfrentar o que existe,
Só em meu mundo triste.


Peço, espero o dia atrás;
Uma data apenas para a mão...
Num embalo infantil, de ti cuidar.


Estarei com você nessa tarde,
Sem estancar, ou amenizar...
Nossos muros altos, esverdeados...
Que protegem o que não existe.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Nº 87

Não pense num desafio...
Uma queda de braços...
Sob lençóis imundos... Sobre assuntos falsos...
Inúteis razões, de um dia da semana passada.


Não há vencido, nessa perda minha...
Perco bem, pois sou assim...
A vitória me assusta,
Ter você só minha, na próxima quarta.


Na direção que vou, só um fim me aguarda.

Marga...

Pode ser sobre a moça da esquina;
Sobre a moça dos meus antigos sonhos...
Sobre a moça do banco ao lado...
Sobre a moça e seu par ímpar...
Sobre a moça e minhas vontades.
Sobre a moça e suas mãos na cintura,
Sobre a moça e seu sorriso, jamais meu...

Quinta-feira, Maio 14, 2009

nº 5

me ajude a amar alguém...
melhor que eu posso ser,
mais forte do que possa querer...
mais linda do que nunca eu vi...


me ajude a quebrar a rotina,
na sua pele branca,
em sua boca vermelha...
intensa, enfeitiça minhas armas.


te esquartejo em tentações do demônio.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Extrema Unção

Me sinto triste nas manhãs;
Seco nas tardes de ventania...
Me sinto velho diante das janelas,
Que abri pra espantar a solidão.


Procuro meus dados;
Informações tolas que eu guardo.
Anotações em blocos;
Dúvidas em pilhas de nervos.


Seu lugar na mesa, ainda vazio...
Para sempre eu morto por dentro.
Numa amargura que nutre meu ego.
Numa armadura frouxa...
Que te matou antes de tudo.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Sabor Abandono

Confesso que tava atraído...
Por sua voz nunca ouvida,
Faz mal não, represo meus desejos...
Não é a primeira vez, que caio.


Confesso que percebia coisas novas;
Que senti por último em 112 dias intensos,
Mas lá atrás, num verão bom.
Não hoje, nas trevas pegajosas.


Que o diabo a leve embora,
Antes de uma nova queda,
Em seu colo doce...
Sabor abandono.

Minha Última Morte

Seria épica... Caindo de um prédio.
Seria dramática... Um câncer me consumindo;
Como o bicho faz com a maçã,
De dentro pra fora...
Sem tratamento, sem fundamento.
Desabrochando de uma vez, como uma flor da manhã.


Seria fantástica... Uma doença inédita.
Seria heróica... Baleado num assalto;
Salvando a Morena que desce a rua...
Saltando em direção ao projétil...
Em câmera lenta, em plano americano.


Seria real... Esquecido num quarto;
Numa cadeira de rodas; sozinho.
Um fardo falido... Pesado demais para meus amigos;
Amigos?

Novas Mudas

Penso em novas mudas;
Pra esse inverno ali na esquina
Novas roupas, a mesma jaqueta de antes...
Surrada com cheiro de ontem...
Duas balas no bolso de dentro,


Crio novas mudas na sacada,
No guarda-roupa um pedaço seu.
Na janela, a mesma mancha de solidão.

Mensagem Falada

Mas ainda tento coisas novas...
Naquela tarde que copiamos,
Copiamos nossos sonhos idiotas.
Mas ainda procuro sensações;
Novos caminhos pra lugares antigos...
Hoje tento novas canções,
Sem letras, com arranjos escondidos.
De flores murchas, roxas.
Mas ainda vou tentar...

Apenas as mesmas...

E as palavras no fim de tarde?
O que faço com minhas marcas?
Aquela feita pra nunca mais?
Vejo os seus sonhos, mas e você?
Daquelas manhãs doces, ainda é a dona?
Tenho hoje a sensatez que me pedia?
Repetidas, repetitivas, mas e as que sorriam?
Como eu naquela esquina?
Com flores na mão?

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Aquela No Espelho

Conserva meus passos,
Rima com tudo, como nossos espinhos;
Faz sempre daquele jeito...
Daquelas maneiras más,
Não gosto do teu jeito, nas manhãs de sábado.
Me faz perfeito, nos faz um só...
Cheios de defeitos nossos, só nossos.
Se você soubesse de tudo,
De tantas coisas inúteis,
Das regras que insisto em explicar.
Conserva meus antes e depois,
Meus passos em falsos,
Até aquela flor velha...
Eu colhi quando você virou as costas...
Conserva meu filho.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

O Assassinato De Qualquer Uma

Acabo com você...
Hoje, depois da última.
Tiro esse sorriso da face;
De caça, faço você vítima.

Por toda parte, partes suas...

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Desinfetante Sabor Lavanda

Onde guardo o terno?
Os planos quase perfeitos?
Meu pedaço de torta no forno?
Entendi, num buraco escuro...
Onde escondo as provas?
De uma cena nunca vista;


“Insista, insista”, ela me diz...
Em madrugadas pela rua;
Se escondendo procurando...
Conveniências, conivências.
Sou fraco nas imaginações,
Onde guardo minhas concessões?
O cheiro me esgana, me fascina.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Morena Caracol

Mais tarde vem esguia, amendoada;
Sobe e desce meus sentidos;
Por agora penso num fim...
Daqui de longe,
Não se ouve seus gemidos;
Escuridão parcial; trevas remotas...
Volta e meia, meia volta...
Não descrevo, nem leio...
Espero você desarmado.

Mulher Infinita Ladra e Fugitiva

Num graveto seco lhe transformo,
Em cinzas num domingo qualquer.
Pego com a mão a solidão...
Numa estrada sinuosa,
Faço de você novas amigas,
Num pedaço de carne,
Transformo a vida em volta.
Num graveto seco, como ela...
Em sonhos vespertinos.

Terça-feira, Abril 07, 2009

Morena Descendo A Rua

Deitada na cama...
Pedindo água...
Olha pra rua, lá seus amigos.
Levante-se, nó frouxo; premeditado...
Você foge e sempre volta;
Com marcas na vergonha.
Nem saio daqui, o dia passa rápido...
Ao cair da noite, sempre um embrulho...
Na porta entreaberta...
O jornal, a parede úmida...
Você sempre linda, sufocada...
Me pede água,
Só nós dois agora, só nós...
Tenho planos maquiavélicos,
Pra suas canelas morenas...
Logo nossos inimigos,
Meus por enquanto...
Lá fora, luzes e sirenes.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Ele

Não faça comparações;
Só me escute...
Nesse dia ruim, pernas pesadas.


À noite vi meu espectro.
Correndo por abismos,
Querendo ser Ele,
Sem ter a mesma causa.


Não faça comparações;
Daqui de baixo, ouço seus carinhos.
Eu queria, acredite...
Te mostrar o segredo da máscara.


À noite vi meus passos,
Ninguém lembrará amanhã,
Minha cartola não gera coelhos,
Ternura, que nem eu creio mais...


Fraqueza, perto de gigantes...
Tenho medo de ratos,
De brechas na vidraça...
Do vento que levou meu menino.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Codinome Traição Virtual Induzida

assisto, enumero...
canetas se foram...
tintas azuis tomam nota...
caindo... embaixo vejo.
suas penas soltas,
caminha pela rua.
suavemente engole sapos;
sujos em vão... pagam você por isso.


cadela...

Code Induced Virtual Betrayal

montre, désigné ...
stylos ont été ...
peinture note bleue ...
tomber ... voir ci-dessous.
perdent leurs plumes,
marcher dans la rue.
doucement avaler grenouilles;
sale, en vain ... des frais pour vous.


salope ...

Terça-feira, Março 31, 2009

Sob Todos Vocês

Cubo gelado, a faca não corta...
Estilhaça aos cacos, mas não dói.
Chore pra dentro, regue a alma.
Torne-se oco... O suco não flui.


Assim...


Espere por sua queda.
Você e Deus num duelo;
Ele vai ver só.


Carne podre, imune as moscas;
Ao ócio da morte que adiante chega.
Chore pra dentro, sem gosto pra eles.
Da espada que destrói... Meu gume cega.

1ª Leitura

Sinta vergonha das passagens;
Nem tão gloriosas;
Escondidas, subterrâneas.


No seu almoço,
Na leitura dominical,
Todos te olham,
Admiram no pedestal.


Tenho outra...
Aspiração assassina.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Retrato

Ela me mostra você;
Nesses lugares montados,
Falsos, em vão fotografados...
Desinibida, fogosa.


Vulgar como naquela tarde...
Eu comi féu por aquilo,
Hoje vejo tais cenas.
Sempre falando com os outros,
Seus novos amigos.
Dilaceram o que toquei,


Vejo ela... Penso...
Em você tomando formas,
Parecidas...

Quarta-feira, Março 18, 2009

Ela! Ali!

Vejo às vezes uma morena,
Descendo a rua...
Canelas finas, cabelo de caracol.
Chata, não me vê...


Olha pra frente, esguia...
Pedala pra longe,
Das minhas mãos, do meu querer...
Foge dos meus bregas elogios.


Quase um maníaco...
Penso em crimes;
A cometer numa tarde.

Segunda-feira, Março 16, 2009

Minha Segunda Morte

Siga a seta; se aproxima
Logo ali, depois da chuva;
Chega mais perto, silencioso.
Manso, rema ao sereno.

O silêncio anuncia...
Roubará seus sonhos,
Minhas metas do ano novo.
Leva você de mim.


Ali na rua, estirada.
Caindo da escada,
Uma vida projetada.
Levará você de mim.

Terça-feira, Março 10, 2009

Sem Jeito Pra Cantar

Toca o barco;
Contra todos, e nós...
Achamos o ouro,
O outro de nós...


Perdido ao vento, ao rio sem água...
Vamos tocando, rodando...

Sábado, Fevereiro 28, 2009

O seu último depois do hiato...

Perdi, os reais...
Valores que haviam no molho.
Caldo grosso e sujo.
Me envolveu, me soterrou.


Outra palavra, outro termo.
Fique com a sua,
Sua casta branca,
Sua raça.

Desintegre, morra com seu cão vermelho.
Impotente, Velho.
Deixa o andarilho,
Caminhar sobre penhascos... Feliz.


Sim, estou feliz sem você.

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

pela janela do inferno

desce seus fardos;
o mais pesado sou eu;
vadia pelas ruas...
chama por outros,
embebida em luas
a pressa em morrer.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Mulher da Fotografia no Túmulo Azul

Meus vícios, baratos de um tostão...
Corro pelos cantos, seus encantos...
Volto ao mesmo ponto,
Sua ironia cheia de razão,

Mais rabiscada que antes;
Me mostra barbitúricos.
Faz isso por eles,
Inúteis professores de sei lá...

Me diga, de suas águas caldalosas,
Em qual poço fundo que me atirou,
Olha de lá com sua boca grande.

Sei de suas viagens;
Aqui diz outra coisa,
Outro ponto...
Fotos suas com ele, cheios álbuns.

Esvazie suas gavetas.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

M.n.p.e

morra com seus rabiscos;
seus óculos grandes;
pin-up magrela...


sua frases feitas;
seu rabujento cão...
seus amigos excluídos.


morra longe mim,
antes que meu peito,
precise de você.

Saudades

Me benzo; peço forças...
Fujo do teu rosto,
Canelas finas, esguias...
Me chama num código,
Intriga tudo à volta...


Me excita, me deixa...
Manhosa se esquiva...


Me rega e me poda

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Alice Me Perturbando

velha pra andar, pra sorrir?
desperta fetiches em mim;
em minhas calças surradas...
levante dessa cadeira;



num milagre, afague meu rosto.

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Uma Impressão

vazia, desce sobre as nuvens;
serena e eficaz;
em seus planos de açúcar;
fala de criança, mostra as fotos...

se revela a mim; num riacho...
que eu vejo, banho e bebo.

vazia, desce sob os outros;
mostra a força e estanca;
os rios de sangue;
em que desaguam minhas vontades.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

a primeira última vez

terminando a mala; viagem longa!
sabe disso? da exclusão, do seu mundo!
ficou algo na pia, não olhei.
algum apetrecho imundo;
aquela escova velha, sebosa.
com seu hálito doce.

doce que não tiro da boca;
de dentro das calças.
vá minha amiga, volte pra lá.
o que ficar, te mando depois,
dentro daquela mochila.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Março de 1980

Não dará um tostão por isso;
Num futuro próximo.
Esguio, olhos surrados...
Me guia ainda pelos tesouros;
Me mostra a esquina,

Sei que estaremos bem,
Juntos, e mais fortes...

Ela não te levará;
Tão cedo espero,
Preciso mostrar que mudei.
Que o investimento valeu.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

hemisfério celestial sul

hoje perdi meus dedos,
indicadores, médios...
tocos, restritos a toques.
notei em meus arquivos;
sua foto se apaga...


torna-se fosca, sem brilho.


descobri um tesouro;
embaixo do nariz.


ontem acordei;
do desatino, da ilusão.
onde você era tudo, era mais.
notei em meus registros;
seu obituário.

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Recheio de Coquetel

andando pela marina;
balança o rabo,
os cabelos...
consulta guias,
com suas unhas...

compridas...

desce, vira, sobe,
olha longe, cheira, sente.
achou um osso,
caiu num poço.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

Três menos Um

De mansinho, de lado.
Qualquer canto é melhor;
Que esse lugar; feio; chato.
Dois brancos se combinam.

Evapore pra longe,
Nem percebo você.

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Longe

Mentir pra você, contar coisas;
Sua escrita apagada, murcha;
Corra pro seu forte, muros altos;
Esguia, alta... Serenidade.

Minto quando falo dos seus olhos.
Baixos, tristes, cegos.
Minto sobre meus programas;
Meus encontros.

Minto em você, sobre e tudo...

Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Aline dias atrás

Desinibida de sandálias...
Sorri nas quedas, nos altos...
Saltos altos...
Longe nasceu, como o rio bonito
No meu sonho fugiu;
Voltou na relidade...

Procurei e me perdi.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Poema de Sexta-Feira

Esclarecimento sobre nós;
Você pediu ontem,
Algo definindo esse amor.
Banal, épico, infante.
Não soube definir os pontos,
Nem as vírgulas...

Me pede coisas pequenas,
Sempre olhando, numa inquisição;
Sem fim, sem nexo...
Preciso disso, fico como você.
Jovial, elegante, infante...

Não sei o “nós”, não sei depois.
Você pediu, eu falhei,
Em descrever esse "nós", que vinga na ilusão;
Que precisa de mais, e mais.

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Poema de Quinta-Feira

Eu vou pro inferno; sei disso.
Por ser assim; falso.
Ladrão mentiroso, herói feito.
Tento ser só seu;
Sou de tantas...
Sem ter nenhuma.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Poema da Quarta-Feira

Já é tarde, você não volta;
Deixou algo sobre a mesa;
Sobre minhas costas...
Uma flanela cobre a travessa.
Deve ser meu jantar.

O dia amanheceu;
O cheiro podre do meu corpo,
Exala pela sala...
O sangue secou;
O fel estourou.

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Poema da Terça-Feira

Álbum novo, fotos velhas...
Dentro de gavetas, seu olhar preso...
Empoeirado, desbotando...
Bate a saudade em mim,
De voltar no tempo, de evitar o fim.

Levo comigo, já disse isso antes.
Seus retratos, seus registros...
Ainda menina, me olhando por cima.
Ardendo na dúvida;
De coisas novas a serem vistas.

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Poema da Segunda-Feira

Sigo teus passos, teu rastro...
Te amo todo dia, acordo e vejo o tempo.
Sinto sua pele branca, seu olhar triste.
Ele não veio, não apareceu?

Antes do banquete, antes da noite...
Olhei na janela, estava lá, sorrindo...
Perto de mim, ao alcance das mãos...
Volte depois, mais tarde...
Nos meus sonhos, no meu lado da cama.

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Mulher da Padaria

Sem guerras, sem armas...
Usa os dentes, intimida...
Desvenda, ilude, cativa...


Nutre verdes tons,
Cria expectativas...
Um cachorro quente,
Um refrigerante...


Sorte sua não me conhecer...
Mais um vândalo,
Mais um talvez...

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Asilo

Olho a caneta, penso em agir.
A tinta lá embaixo, o papel acabando...
Todos se foram, levaram o tempo.
Logo vem a sopa, depois o pão.

Olho a janela, vejo seu vestido.
No varal, dançando com o vento;
Vai e volta... Chama pra vida.
Foi-se e não me contou o final.

Olho o quarto, tantos lençóis...
Tantas vontades; banais.
Descobri o final que vivo,
Que sinto nos ossos.

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Seu desprezo

Torna-me melhor com ela...
Faço meus dias mais longos;
Por seu olhar de lado,
Com nojo, com pena...

Sou o melhor que nunca vi,
Pra lhe mostrar a realidade...
Voe para longe querida;
Voe para o inferno.

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

É diferente mesmo?

Pra mim, Deus é tão bom que nos deixa livre pra tudo, até para escolhermos o mal e por isso, procuro levar uma vida honesta e digna... Só que sou humano, cheio de defeitos e seria muita coisa achar que eu poderia levar uma vida Santa...

(...)

Deixa eu te contar uma historinha:

Um dia passou na minha casa, um casal com dois filhos... Eram Testemunhas de Jeová, aí o rapaz pediu pra eu dar uns minutos de atenção que ele leria um versículo da Bíblia, era um trecho que falava de vingança, ódio... Pra variar era domingo de F1, corrida em SPA e eu ali com o copo de leite com Toddy... Pois bem, cedi os minutos que ele pediu...

Depois de ler ele me perguntou: Você sabe qual o problema desse mundo?

Eu disse que era conseqüência da evolução humana, e que barbáries como crianças jogadas de prédios, estupros, e tanto outros crimes absurdos; eram coisas que sempre aconteceram e sempre acontecerão. Além do mais acreditava que a quantidade de pessoas boas e ruins ao mesmo tempo no mundo sempre foi a mesma , e que o mundo sempre seria assim...

Aí ele me disse que a culpa era da falta do perdão humano e que os homens não se perdoavam mais, e que isso tudo era falta de Deus no coração das pessoas.

Eu disse que não concordava...

Ele emendou: "Eu sim, hoje sou um capaz de perdoar a todos que me fazem o mal"

Eu perguntei, Você tem certeza disso?

Claro que sim... - respondeu

"Bem, vamos lá" eu disse:

“Imagine você chegando em casa, e descobre que um cara invadiu, matou seus filhos estuprou sua mulher... Barbarizou o coreto... Você perdoaria ele? Pois eu só confortaria a minha dor sabendo que esse assassino fosse torturado de forma brutal e tivesse uma morte lenta e dolorosa... ”

Ficou um silêncio no ar... e ele disse:

“Bem, aí é diferente!”

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

"faz um verso lindo pra mim"

a vida gosta de brincar,
às vezes de um jeito azedo...
mofo, verde, podre...
brinca com seus pais,
meus filhos...
meus sonhos.

faz com que tudo vire flores;
antes de cair por terra,
plantas de sonhos,
nunca rabiscadas.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

poema sobre a vida perdida

escrevo sobre coisas passadas;
coisas banais, da última esquina...
escrevi sobre seus olhos,
suas coxas grossas...
seu batom borrado...


sobre um futuro longe,
viajante, fugindo de ti...
pra perto de ti...
aos poucos, num copo de café...

ou na insulina que não tomei...

Terça-feira, Novembro 04, 2008

(Des) Adoção

Aprendeu a voar;
Logo sairá; logo, logo...
Voa pra longe, pro jamais.

Aprenda a guiar os tolos à sua volta.
Guia os cegos, pra um quarto escuro.
Corte a luz depois.

Voa com novas asas,
Voa pra longe,
Nunca esteve aqui, portanto...

Aprendeu a descartar,
Recicla algo velho e sem vida.
Que nunca será.

Nunca esteve aqui, portanto...

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

bonus track

Encha o buraco, de coisas.
Suas, as velhas, a velha.

Preencha; estanque...
Há muito espaço aqui,
Suas lágrimas, suas lástimas,
Coloque tudo aqui...

Ainda temos espaço,
O coração foi doado,
O fígado podre chama aqueles lá em cima...
Rodeando, praguejando.

Enterre comigo seu filho,
Seu outro medo,
Aquela promoção bacana.

Preencha; estanque;
Plante flores depois;
E ficaremos bem até amanhã.

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

antes de germinar, a semente apodrece

o começo marcou o fim.
lá, sabíamos do modo; da data...

o fim soterra o começo doce.
hoje sei o que houve.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

flerte não enviado

Eu posso falar coisas diferentes...
Pra você de vez em quando?
Sem que você se ofenda;
Sem brigas;
Sem que eu tenha esperanças?



* A mensagem a seguir não pôde ser entregue a todos os destinatários:

Terça-feira, Setembro 30, 2008

héstia romanowski segundo meu pensar

não me esqueço,
não me importo,
com seu amigos;
com seus e-mails;
com sua vida...

só em fazer parte dela.

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

Letras

Queria eu;
Unir os meus sonhos;
Entre rios e mares;
Zunir o vento, a força;
Ir ao encontro da Moça;
Através dos medos superados.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Poema Machista

Já és minha... Já és.
Livros grandes, empoeirados...
Pra quê?
Basta usar o manual da lavadora.
E cuidar nas tardes frias,
De minha carcaça.

Já é como a do Mario Lago.
Não sabes das funções;
Da sua lida, a partir de qualquer dia desses.
Como as outras, quer só isso.
Brincar de bonecas, ser assim.

a uma qualquer na esquina

se morresse amanhã, queria dizer tudo a você;
do amor escondido, da raiva sentida...
naquele dia, que esperei...

se morresse amanhã, queria seu corpo mais uma vez.
suas coxas grossas, no meu queixo...
sua seiva, nas entranhas.

se você morresse hoje,
te pergunto sem vergonha...
doaria seu corpo a mim, por duas horas?

Quarta-feira, Junho 25, 2008

o fim do fim

Os véus, que correm por todo o mar.
Não mostram a dura realidade que vivo...
Que sofro...
A partir de hoje, pro fim...
Pro nosso fim, pro meu que logo ali...

Me espera bem vestido.

As crianças ainda morrem,
Da falta que falta causa.
Você foi... A que o poeta queria pra ele.
Mesmo velha, mesmo linda.

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Terceira Pessoa Ausente

Sempre perguntas vagas...
Recheiam as tardes insólitas.
Solitárias na sala de vidro,
Pela janela se vê os jovens sonhos...
Com seus livros encapados...

Mostram o que jamais seremos,
Dentro dos textos que fiz a seu pedido.
Dentro da vida que criamos depois das 6...
Temos vontades, que nos dão vontade de ser.

Ele voltou ontem?
Não posso falar de seu pescoço esguio...
Não mais hoje, nem amanhã.
Tenho comigo, o beijo que nunca dará.
A mão que nunca senti...

Ficamos nos estudando,
Sem saber se somos isso mesmo...
Dois espectros, que sonham...

Mas não realizam...

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Crases, Acentos

Não justificam sua recusa,
Em ser só dele...
Enquanto na sala, me olha
(...) instiga a ser, quem não posso
Como o cara da foto...


Sua franja, não é como ontem...
A química passou...
Eu só vejo solventes e soldados.

Dona Florinda foi embora

A barba por fazer, remete à sua mão...
Três dias atrás, cuidava daqui...
Fervia o leite,
Me aquecia com teu colo.
Esse cabelo curto, por sobre as orelhas.

Nada restou de ti...
Só gosto em minha boca,
Só o rosto em meus pesadelos...

O seu avental, ali fora...
Florido, distante de mim...
Me avisa, me alenta.

Quarta-feira, Junho 11, 2008

Desejo Desconhecido

Durante a tarde ociosa,
Veio a vontade do desconhecido.
Um contato qualquer, perdido...
O motivo não era nobre.

Os meios justificam o sorriso...
Meigo, cerrado... Quase sem razão...
Uma armadilha pro navegante,
Aquele que busca coisas menores.
Com o jeito de suprir seu estoque.
De coisas grandiosas...

Não existe amargura,
Amarga não é sua pele,
Doce seiva, que não é minha...
O outro dono foi no alto do rio cinza,
Como você disse há 40 minutos,
Seria ele, o tutor de seu nome íntimo.

Não eu, o usurpador, que tenta...
Em vão, seu sorriso aqui.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Sílvia Saenz

Não queria a vida de antes,
Nem a do próximo roteiro...
Com quartos decorados,
Sentimentos profanados ao léu.
Falsos amores, falso suor.

O anti-herói, sua atuação fora de linha.
Queria mais, queria o velho doente...
Dando-lhe textos geniais...
Na escatologia declarada por toda a tela...
Segue firme... Sempre diz ser o último.

Mas aumentarão o cachê...
Na próxima vez?

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Sala de Espera

Vê-la fraca, nua de força...
Nada bom foi, nada apenas...
Queria poder cuidar,
Prestar o socorro que precisa.

Impotente, preocupado,
Vítima do tempo de espera,
Por notícias boas, que mais tarde...
Apareceram, dizendo que a bonança,
Havia chegado no último trem...

Hoje tão linda tão serena...
Você me disse “bom dia”.

Quarta-feira, Junho 04, 2008

A Beleza

A dos olhos tristonhos,
Do pescoço esguio, que busca o aconchego...
De mãos rijas, mas macias no toque.

Pode-se trocar pelo tom claro dos dedos,
Finos, delicados.
Que falam por si, com vida própria...
Como o sorriso firme,
Que não canso de citar...

Segunda-feira, Junho 02, 2008

Olhando Você

O temor, envolto na casca de ovo...
Temo o que temo sentir,
Temo a teimosia de temer o desconhecido.
Mas hoje você veio de botas,

Veio mais elegante do que ontem,
E menos do que amanhã...
Menos que tudo, sendo amanhã
A realidade de hoje...
Mas temo assustar você,
E seu sorriso ímpar...

Com minhas falas, sempre longe.

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Flerte Subliminar

Lua e estrelas... Temo isso.
A ressalva em ser piegas,
Não no tema, mas na função de palavras...
Jogadas ao relento, sem cuidado...

A lua que vi ontem passou por mim num segundo...
Vi que era bela, mas num descuido idiota,
Abri mão de uma tentativa nula...

As estrelas que vi, todas brilham mais...
Que um nulo corpo decadente,
Que se ressalta ofuscando outros...

A primeira fala está longe, mas...
Perto de lá e longe de qualquer lugar,
Já que uso verbos perdidos...
Fedidos na gramática, que não há solução...

Noite Fria

O dia cinza começa com um sorriso...
Com o esfregar das mãos,
Repelindo o frio, que nem tanto é.
A boca cheia de dentes...
Esboça um charme sem alvo...

Os pés se roçam, fora da sapatilha...
Meias brancas, como o tecido do buquê.
Aquecem o que não vejo, mas percebo.
Falava-se do homem, e suas palavras de ordem...
Durante a noite fria, a neblina salpicava a longa conversa.

Falamos nisso durante o café...

Quinta-feira, Maio 29, 2008

Por que eu?

Acanhado fico, com as descrições,
Com as indiscrições de seus detalhes,
Tímidos, menores ficam...
Não sei usar a escrita deles,
Só falo de coisas menores.

O estabelecimento de sua grandeza,
Depende de minhas análises tolas,
Sobre as menores coisas...

Quando a real importância,
Está no abstrato de seus olhos tristes.

Um Pedido Atendido

Disse que seria sobre as flores...
Mas não disse a cor, o cheiro...
Talvez a que desabrochou logo ali,
Ou a cheia de pólen, que caminha para o murcho.

Queria um buquê, envolto em panos alvos...
Poderia ser também aquela sintética,
Que como disseram outro dia, “não morre”.

A mágica disso tudo, é você interpretar...
O que posso sentir,
O que posso querer.

Visibilidade - 95%

Ouvi um lamento...
Alguém dizia “para sempre você”
Era em outra língua...
Ou eu estava chapado.
Mas era isso e outras coisas.

Enquanto olhava pela vidraça,
E via jovens vontades,
Que já não devo sentir mais...

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Delicadeza nº 34

A delicadeza da sapatilha,
Não condiz com a força que brota...
Do sorriso sempre exposto,
Daquela elegância formal...

Mas sempre vem o fax interromper...
O que ninguém sabe,
O que ninguém vê...

A voz suave, quase sussurra.
A banalidade do dia a dia...
Dos fatos nulos,
Da campainha incessante.
Que sempre toca, ao início de tudo.

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Sofrer Sorrindo

É bom fingir...
Ser o que não sou, ser quem não quero ser...
Fugir daquela realidade cruel.
Fugir da realidade que você não mais está...

É bom sentir você aqui, mesmo do lado lá.
Me confortando todo dia, com seu cheiro...
Que chega até mim, num suspiro doce...

É bom fingir que não te amo mais...
Que não preciso mais dos seus quadris.
Do seu gosto, do seu corpo...

Somos os piores atores...

Quinta-feira, Abril 24, 2008

à moça com a criança no colo

Não fui a esperança...
Não fui angústias ainda vivas...
Não fui certezas...

Fui quem se encantou numa tarde,
Por cabelos sinuosos...
Pela aquela voz suave;
Pela criança no colo...

Na noite da chuva,
Acho que terminamos ali...
Faltou paciência;
Faltou coragem...

Mas a Flor, daquela baía barrenta...
Ainda floresce aqui.

Sexta-feira, Abril 18, 2008

Enquanto você se produz

Não faça isso...
Foge de mim, foge de tudo...
Ou fugia, e agora é só um charme a mais?

Corria por aí, aquela vontade...
Que agora carrego aqui.
O eixo em que me pôs...
É o mesmo do último, mas...
Vou segui-lo a risca,

Pra sempre.

Manuela

Com seus dedos finos;
Cheio de anéis e bem alinhados,
Correm pela mesa, expõem seus desejos...
Não sei ao certo, o certo disso tudo...

Caminhos tortos sempre serão...
Mas não sou eu o que vai grifar.
Nem contornar, nem apagar...

Sei dos seus planos, dos seus dedos finos...
Me impondo seus pontos,
Propondo coisas, e tirando meus flancos...
De opiniões vagas, perdidas...

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Ela... Hoje

Esses lábios tristes...
Tranqüilos já foram, nas tardes de outros dias.
Seguraram as lágrimas rebeldes,
Que hesitou em derramar...


A pele desse rosto...
Macia, convida a segurar,
As lágrimas que devem cair hoje...
Ou que cessarão de manhã...
O seu choro comove estranhos,
Mas não faz o algoz se arrepender...

Auto-Crítica

Precisar, não é a palavra certa...
Está cada vez mais difícil começar algo.
Faltam palavras, assuntos...
A musa ainda é a mesma.

Mas o lápis está mínimo...
Definitiva e pontual,
É a vontade de permanecer;
Todo dia com uma letra a mais..
Toda hora, com a certeza...
De estar lá ao longe;
Mas aqui perto, como antes...

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Balada do Casal Sem-Vergonha

Vou indo... Levo minhas vontades no bornal.
Lá atrás tem algo parecido,
Mas afirmo novamente...

Não suporto mais suas coxas grossas,
Esse seu jeito... Cheiro de mulher...
Seu olhar caído... Me conquistando mais uma vez...

Sempre voltei, mas hoje será diferente.
Não retorno mais aqui... Nem que me peça de joelhos...
Mesmo que chore e diga me amar...
Mesmo que... Mesmo que roce seu decote em mim...
Mesmo que faça aquilo como só você faz...

Vou indo, levo minhas vontades dentro da calça.

Relendo Velhos Textos

Nada que seja tão prudente...
Nada que seja tão consciente na sua forma...
Nada demais, além do seu sorriso nas manhãs...
Calmo, sereno... Fazendo ser aquele melhor...
Nada como o de antes, mas ante o de amanhã...

Reticências

Nada que seja tão passional...
Violento e banal...
Nada que te agrida com palavras...
Nada que não seja brutal...

Que não sofresse como na última semana...
Que não fosse o mesmo de antes...
Mas o melhor que você buscou naquele banco...

Daquela cidade com nome de guaraná...

Quarta-feira, Abril 09, 2008

J. Stobo

Eu poderia pedir desculpas,
Eu poderia tentar novamente,
Eu poderia me redimir...
Eu poderia ser infeliz.
Eu poderia pegar o seu giz.


Eu posso melhorar,
Eu posso te esquecer...
Eu posso te provar,
Eu posso tentar.

Máscara

Procurei por uma expressão cabível...
Uma palavra bem escatológica...
Mas não, me vesti num outro.

Fui esperar ao longe, o que eu já sabia.
Não reprimo minha dor;
Pelo fato dela não existir.

Mas aquele riso ao cair da rede,
Não esqueço.

Agora, Só

O fundo de adeus ao fundo, me informa...
Me conforta sobre o que foi “nós”.
O sol se põe, e eu aqui no banco.

Esperando algo que não virá,
Mas devo cuidar do meu barco,
Mantê-lo longe das tempestades.

A brisa boa, anuncia a ressaca.
Que ao longe já se foi...

Fotolog

Aquela beleza de antes;
Maiúscula, marcante...

Não profane a beleza que eu vejo.
Não diga aos outros,
Que medi seus lábios carentes...

Aquelas polaróides fabricadas,
Não me enganam...

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Um doce fim para algo que não se foi

Sempre fingindo...
Sempre estaremos...

Que seus quadris não me provocam mais...
Que minhas palavras não mais ouvidas...
Que o apelido não existe mais.

Que você nunca existiu;
Que aquela tarde não acabou.

Você e eu; dois amigos da ocasião;
Sempre fingiremos para o outro,
Que tudo acabou bem.

Olhos de Capitu

Com jeito arredio,
Numa personalidade rubra.
A menina com a boneca;
Mas a mulher com o punhal...

Seus olhos baixos, como de um antílope...
Procuram uma presa, pra fera na esquina.
A leoa que caça homens,
Esperando o próximo idiota.

A Capitu do outro,
Mas o meu vício de antes.

Segunda-feira, Março 24, 2008

Menina Cósmica

Direito é não contemplar...
O sol que não brilhou até ontem...
Não vi a última previsão,
Deixei pra lá...
Aqueles quadris que exigem atenção.

Contornam quem defende os pequenos;
Com seu escudo de boa vontade,
Querendo briga, mas também a calmaria.

Não sei de onde veio,
Mas mereceu um troféu...

Talvez pelo escudo;
Talvez pela coragem;
Ou meramente pelos quadris...

Melâncolia ao Leite

Depois da Doce Passagem...
Retornamos às nossas coisas,
Elas ainda estão lá nos retocando...
Escondendo cicatrizes, arranhando a consciência...


Acredito que não há mais nada a acreditar...
Só nessas polaróides discretas;
Sem pretensões de agradar...
Apenas vejo ao longe,
A incumbência de estar ali,
De se fazer presente...


Essa doçura que não pode ser minha...
Não sei até onde chegará,
Mas sei que já há alguém.

Quarta-feira, Março 19, 2008

Fake

A mão continua estendida;
Pra alentar quem cansou de lutar...
Aquela criança triste;
O velho dolorido de viver.

A mão continua estendida;
Mas ela cobrará a fatura...
Aquele carinho não foi em vão...

A filantropia terá um preço.
Fazendo de seu amor,
Sua maior fraqueza.

Uma volta

Relendo essas coisas postas aqui, eu notei que sempre foi seguida uma linha tênue de escrita. Dizem que um pintor reproduz numa tela o que quer ser, ter, participar ou sonha... Nunca classifiquei como “poema”, e sim como um desabafo, um vômito ou mesmo um relato...
Daí o nome do blog. Escrevo sobre coisas sentidas, vividas ou ainda em curso. Não sei ao certo onde isso tudo acabará, se num best-seller ou em coisas engavetadas cheirando a mofo.
A primeira opção é uma incógnita, a segunda impossível, pois é algo virtual e isso nunca mofará, a não ser que o site seja removido.

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Comunicado

Esse blog entra em recesso, talvez ele volte num tempo futuro. Hoje se fecha um ciclo, agradeço aos leitores, se bem que não sei quantos ao certo, pelo apoio, pela divulgação. Vou me dedicar a escrever mais contos e relatos, deixarei os poemas de lado, pois não é o foco que busco.
Agradeço mais uma vez aos leitores e espero voltar em breve com novidades.
Reinaldo de Souza
05/03/2008 - 12:24 hs

Porto Feliz

O barco ao longe se vai...
Foi uma parada demorada,
Custou para zarpar.
Mas era um barco requintado...
Esse cais furado e cheio de remendos,
O lodo não agüentaria muito.


Já foi, no horizonte ele dobra.
Só fica a certeza,
De que não há certeza alguma.

Courtney Love

Não vou me suicidar,
Descanse sua pele bem cuidada.
Não tenho coragem pra isso,
Você sabe bem...
Sabe do que sou capaz.

Coloquei 5 colheres de nescau,
No leite que tomei ontem...
Enquanto via um deus cheio de trejeitos.

Desarmando Armadilhas

Venha me destruir!
Não se acanhe, tente!
Sua espada aromática não me fere mais.
Não posso sucumbir aos seus desejos tolos,
Sua coragem de mentira.


Não se envergonhe da situação.
Quebre mais pratos.
Faça sua cena...


O amor é uma flor no abismo,
Eu sempre digo....
Arrisque-se por ela, e verá que no fim é só uma flor.
Mas nada vai me destruir,


Não banque a vítima,
Não me bajule...
Já pos em prática suas habilidades.

Agora já minei meu castelo.

chame do seu jeito

Volta e meia me vem isso...
E se fosse uma conspiração?
E se tudo fora premeditado
Com requinte de detalhes...

A cada dia que passa,
A certeza vai me tomando...

Um peixinho envolto numa isca....
Ou a mosca que se seduz pelo brilho da flor,
Ou mesmo o dependente,
Daquele complexo de barbitúricos..

Aquele dia livre no parque talvez.
Foi útil pra encontrar um novo brinquedo.

101

Mas ainda acredito em mim,
No medo de ser aquele,
Que veio pra mudar um...

Mesmo que tudo aponte pra lá,
Eu vou por aqui...
Pois temer é grandioso.
Pois ceder é maior...

Mas ainda assim, acredito na escrita.
Aquela que faço com o copo de café frio.
A dor nas costas de sempre...
Aquele pensamento teimoso,
Que tudo vai melhorar.

Mas ainda acredito em mim.
Na vontade de ter seus quadris aqui.
Que chegam pra salvar um...

Levantando

A enxurrada que passa,
Pode não ser a verdade que se espera...
Não busquei mais promessas,
De ontem à noite pra cá...

Aquela calmaria de antes,
Que acredito ter usado,
Pra definir uma dobra difícil,
Que foi posta a postos...
Pra capturar os sonhos de antes.

Ela ainda passa por aqui.
Todas as noites querendo...

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Chuva

Eu sorria copiosamente...
Um riso triste, soturno.
Indo pro abate o gado berrava.
O cheiro de sangue correndo pelo chão...

Era a mesma sensação...
Da música que ouvi ontem.
Depois do meu café da tarde.

A traição não foi bem assim...
Contei outra história por esses lados.
A vontade está florescendo;
Outra citação ao poeta morto.

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

liberdade minúscula

fique calma... a ventania passou.
não há mais dor agora,
o amargo se foi, junto com seu corte de cabelo.
esqueça aquela face.
esqueça tudo e todos naquela rua...

agora está livre, está solta...
pra amar aquele que ainda não conhece,
mas que roubou você das minhas vontades.

vá e volte mais tarde...

A Sombra de Deus

Não há um meio correto de se começar isso. Talvez se deva contar a partir do último episódio.

Algo sombrio estava surgindo naqueles dias. A dor que consumia a cabeça, nem o deixava pensar. Mais um emprego que escorria pelas mãos, mais um sonho que ele abortava.
Andava pelas ruas sem rumo, não sabia o que diria mais tarde na república. Os vencimentos do mês batiam à porta e nada de dinheiro.
“Se eu tivesse uma oportunidade real, poxa... Resgataria muitas coisas, muitas coisas... Vivo sempre à sombra de Deus”
O centro da cidade estava movimentado, o Governador inauguraria uma ponte que já custara milhões à viúva.
Mesmo estando com apenas R$ 5,00 no bolso valia a pena uma coxinha com laranjada... Qualidade duvidosa, mas enfim, eram tempos difíceis e exigiam medidas cabíveis. Comer todos os dias daquela forma não representava saúde pra alguém criado com frutas, cereais e doses cavalares de leite e vitaminas.
Se acostumar com bonança é fácil,; moleza, mas roer os ossos da vaca magra era digamos, terapêutico.
Alguns carros da PM rodeavam o centro da cidade, notava-se um grande aglomerado de imprensa, curiosos e policiais, havia uma impressão de estar num filme, todos aqueles carros; homens armados olhando as pessoas como se caçassem alguém.
Já caminhava pra casa, afinal de contas aquilo não o seduzia, afinal de contas estava fudido e mal pago e ainda por cima começava a chover... Alguns fogos explodiram, nessa altura já se “cortava a fita”.


deve continuar...

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Autópsia

O meu lado não se define tão fácil.
Eu usaria aquela palavra hipotética.
Nunca fomos dois, me certifiquei disso.
O despertar da realidade alveja meus cabelos.

Vejo todos meus amores falsos.
Meus atos egoístas....

Aquela tarde nunca sairá da minha cabeça.
Nem mesmo aquele tapa em março de 1996.
Aquela corrente de ouro barata...
As calças rasgadas nos fundilhos.

Mas sei que já foi.
E nem apagou a luz.

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Remoendo numa Tarde Quente

Passa-se o tempo; as luas se foram...
O céu mudou pra mim, vi um horizonte,
Que não estava no manual prático.
Vi coisas diferentes.

Que ainda estão por aqui...

Reprimido; Enjaulado

Aquele doido ainda caminha por esses lados.
Seus olhos murchos pelo pó da estrada;
Esguia e contente era a moça do outro lado.

Aquele felino arisco, cheio de marcas...
Caminha pela mesma estrada que passei.
Eu era louco de querer pra mim...

Mas ainda assim, o doido não era eu.

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Espelho Rasgado

Sou comum como pão com manteiga;
Um idiota em qualquer esquina.
Alguém sem nexo, sem essência.
O que busco nos outros,
Não encontrei na vivência.
Pobre e cafona como essa rima.


Sou inútil e mediano.
Não mereço sua pena, nem mesmo as da galinha.
Sou assim, pobre de riqueza e rico de pobrezas.
A mazela que encanta;
A doença que se pega.

Sou o mendigo na rua,
Aquele que aparece em fotos;
Por cima dos ombros dos bacanas.

A minha fraqueza exalta suas virtudes;
Uma beleza falsa que te engana.
Assim como minhas palavras.

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

1 improviso

Nem sai da retina...
Aquela tarde quase noite;
Acho que era o último dia, ou o penúltimo.
Uma sala cheia de estranhos.
Tentávamos em vão... Nem sei ao certo...

Hoje vejo que ainda dura,
Aquela vontade de contar;
Passagens distantes, dores guardadas.

O que impede?
Eu fiquei sabendo dos olhos estranhos,
Daquelas coisas escondidas.
Das minhas e das suas.

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008

Manual Prático para o Auto-Perdão

Tente medir o sofrimento alheio!
A grama do vizinho é mais verde.
A dor do próximo é sempre exagerada.

A demasia do sofrimento causa o amor fácil.
Aquele que vem e vai.
As vezes eu erro;
Ou errei lá atrás.

Meus erros de ontem, me cobrarão a fatura.
Dura, pura e sagaz.

Paulo Henrique se foi

Sinto que já foi embora a essa altura...
O procurei pela manhã;
Mas em vão... Talvez, eu diga um dia...
Não foi a primeira perda.

Acordei de madrugada pra te ver;
Estava lá triste e calado.
Mas ainda assim foi carinhoso;
Pedia ajuda, mas nessa altura...
Já não podia mais.

Fiz o jantar que gosta;
Mas não o comerá hoje.
Queria que não fosse assim.

Domingo, Dezembro 30, 2007

Companhia de Sofia

Eu vim de um mundo distante...
Longe daqui, longe de tudo.
Não esperava numa tarde quente dessas...
Que a pequena Sofia viesse de seu mundo...

O meu caráter foi forjado, lá atrás.
Digo com certeza;
Não temas o mundo real...
Não vivemos num, afinal...

Não temas as pancadas da vida;
Ela vai forjando nosso coração,
Até ser só um músculo...
Não tema essa conversa.

Ela não foi premeditada...

N.S.A.

Já falei sobre pretensões?
Já falei sobre meus medos?

Sabe, sempre começo com negações...
Às vezes sem rumo, sem rima.
Penso em você e me vem aquela idéia.
De ser melhor;
De ser piegas...

Só penso em você quando estou em apuros;
Corro atrás de suas fotos.
Beijo, cheiro e clamo...

Meu clamor é falso;
Até o demônio clamaria acuado.

by my self

Continuando com meus pensamentos...
Sigo por aqui por esses dias,
Buscando o que ainda não perdi...
Sufocado, soterrado e carente.

Sempre quis ser assim?
Acho que não...
Pergunto pra mim mesmo,
E a resposta não surge...
Usaria outra palavra,
Mas estou bêbado, e pensando em você...

Tomo minha cerveja barata,
Agora quase quente pelo tempo...

Sábado, Dezembro 29, 2007

"Intitulável"

O mundo merece ser bom...
Onde existam pessoas boas;
Jardins floridos, crianças brincando...

Meninas eslavas que sejam felizes.
Que admirem o sorriso nunca dado...
Que sejam felizes na ternura;
Ternura essa que nunca terei.

O mundo merece seu sorriso.
O mundo merece ser bom;
Mesmo que eu não mereça...

1996

O final chegou?
Antes do dia marcado;
Você conhece meus calcanhares...
São fracos, mas já andaram muito.

Eu perdi coisas.
Naquela lanchonete velha;
Te paguei o último cachorro-quente.
Sempre comia dois.

Você foi embora, há anos...
Acabou por causa de seu novo amigo...
Não sei ao certo... Mas foi numa quarta.

Hoje somos estranhos, mas ainda lembramos de 1996.
Do ovo na cabeça...
Das noitadas numa caçada sempre vazia.

Reveillon Derradeiro

Não tenho pretensões;
Abandonei todas ontem.
Estou fraco e cansado...
Seus quadris não me confortam mais...

Preciso de uma cova rasa;
Pra depor meus pecados...
Esconder meus medos que voltaram.
Depois de um tempo, voltei a mim.

Meus planos se foram...
Junto com seu sorriso triste,
Naquele ônibus velho;Que virou na última esquina...

Domingo, Dezembro 23, 2007

O Censor da Gráfica

A carta abaixo foi encontrada junto ao corpo de um delegado da Polícia Civil, em março de 2001.


São Paulo, 25 de Março de 1999.

Usando sabiamente os constantes problemas de relacionamento, escrevo ao senhor Dimas Albuquerque, Editor-Chefe e um grande amigo, para comunicar à vossa pessoa que desta data em diante, não escrevo mais aos leitores do denominado jornal.
Por diversas vezes; sem sucesso, tentei me enquadrar nas regras que me foram colocadas. Ainda “jovem” no emprego (só foram dois anos de colaboração) sinto que não posso acrescentar mais nada a essa instituição.
Gostaria de sublinhar o motivo pelo qual tomei a tal decisão: nos últimos 4 meses, algumas matérias que escrevi foram devolvidas pelo “censor da gráfica”.
Um detalhe, todas elas citavam o “Eixo”.
Não me interessa o que acontece quando “eles” entram em ação, apenas me importa o fato de ainda existir censores.

Fatih Ahmed

O E.I.X.O. – Manifestações II

Um velho Fusca se aproximava lentamente... A sua lataria estava totalmente danificada, não havia conserto a ela, vários funileiros já haviam dito isso...
O veículo trafegava na rodovia, dando a impressão que passaria direto pelo Posto de Combustível que havia à margem... Num súbito movimento o motorista manobrou e estacionou.
Empoeirado e um tanto cansado, um jovem de estatura média e cabelos crespos, praguejou:
- Droga!
Ruben Rossi; um repórter “abelhudo”, na verdade ainda estava na faculdade, mas já
colaborava em alguns jornais. A sua “maior” reportagem era um artigo sobre os fenômenos atribuídos ao “eixo”.
“Jornais e revistas sensacionalistas não pregam conteúdo em suas matérias, apenas a manchete”.
Ruben havia ouvido isso de um redator e desde então o mandamento único era esse. Os tempos de primeiro ano na “facú” foram mágicos, cheio de repórteres-professores esquerdistas com suas idéias marxistas...
Uma franquia havia comprado os direitos sobre vários postos naquele trecho da Rondon. Apesar da rodovia estar em péssimas condições, a conveniência era muito sofisticada, com revenda de pneus, peças e borracharias de primeiro mundo, uma grande ironia.
Uma bela frentista veio em sua direção:
- Bom dia, em que podemos ajudar?
- Sim, um jornal e R$ 40,00 de gasolina.
- O jornal o senhor pode pegar ai na banca, por favor?
Ruben mal reparou na moça, mas quando ela caminhava em direção à bomba, notou os belos quadris. Estava atordoado. Passou a noite dirigindo; necessitava de uma cama.
Como era de praxe, preferiu um jornal “alternativo” a um “grande”. A manchete era categórica: “Ali Bassir: Morte ou Assassinato? – Crime choca SC”.
Após uma breve leitura, bebeu um pouco de café e tomou estrada...
“O que será isso? Meu Deus, às vezes tenho medo de não estar mechendo com uma quadrilha... Dê-me forças para ir fundo nisso. Temo acabar como os outros...”
A partir de um ponto, uns 10 km após o posto a rodovia se tornou movimentada... alguns caminhões cruzaram com o velho fusca. O jovem repórter se corroia de medo. Afinal era o único momento em que poderia mostrar-se com medo e frágil. Um repórter investigativo não teme ameaças, nem desafios...
A necessidade de ser aguerrido era constante, tanto que na última semana havia colocado em uma matéria o título: “E.I.X.O. VENHA ME PEGAR”. Já eram 20 mortes atribuídas à “quadrilha” e ele não queria ser mais um.
Sintonizou o rádio e ouvia uma música sertaneja, não se lembrava quem era o cantor, mas isso não importava... Mais uma daquelas histórias de traição. Olhando pro velocímetro via os 110 km/hora que o carro ia.
Á diante alguns motoristas tentavam ultrapassagens, e no rádio o locutor oferecia uma canção:
“Essa vai pro menino medroso que se escondia atrás de que acreditava em Alá...”
Ruben pisou imediatamente nos freios, mas não teve respostas...

(Continua)

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Plano B

Certas coisas me atormentam;
Aquela brisa me dá calafrios...
Preciso ir embora, descansar.
Minha cabeça dói, talvez 30 gotas...

Vejo todos que me cercam...
Vejo de quem eu fujo;
Talvez eu tenha logo a resposta;
Talvez eu perca meu caráter.

Só preciso de colo;
Colo de mãe, entende?
Quero dormir e acordar depois...
Andar livre; sem medo...

Quando passar tudo isso...
Venha me visitar...

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Good Times

Sei do tempo que tenho...
(...) ele já se foi...
Tive bons tempos...
Mas isso foi num tempo passado.

Não sei quanto tempo tenho...
Mas sei que falta pouco.
Pouco pra eu entrar na realidade;
Sair desse sonho bom...
Desse sonho branco, tão macio...

Saio feliz, volto pra minha trilha;
Que não é tão ruim....
Mas caminha comigo.
Para o fim, que logo vem me curar.

1x0

Seus olhos não brilham mais;
Não seguem mais a luz...
Nosso jantar é silencioso...
Nossas tardes passam em branco;

Ontem à noite eu pensava...
No “Futuro bom" de antes...
Nos campos floridos...
Nos planos da tarde...

As reticências me perseguem;
Não vou insistir mais;
Temo perder, é porque estou perdendo.
Não vou temer a derrota em si;
Chega disso tudo;
Meus lamentos falsos não podem persistir.

Nessa busca idiota que começou a esmo...

Auto-Espancamento

Bom saber disso...
Saber do encosto que represento...
Não pedi isso a você.
Mas insisti até 15 minutos atrás.
Carrego meus tropeços numa mochila térmica.

Aquele calor da ante-sala;
Eu lá esperando a espada.
Com seu gume ácido...
Livrando-me das minhas entranhas.

Não temo mais um demônio.
Afinal fui eu quem o criou.
Na minha cabeça podre (mais uma vez)
Meu gosto pela caneta havia voltado;
Depois de um tempo de ternura.

Meu hálito voltou a feder;
Já não sou mais belo como antes...
Meus intestinos não funcionam mais;
Minha úlcera me consome...

É bom, ver que não mudei um milímetro.

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Devaneios mais Belos

Quando meu amor chegar,
Estarei esperando...
Na beira do mar.
Um sorriso teu;
Um aconchego doce...

Não sentirei tanta dor.
Num entardecer vermelho...
Talvez um dia;
O sol vá se por pra você antes mim...
Mas não temo cuidar de um jardim.

Quando meu amor se for;
Eu chorarei sim;
Na beira do mar.
Lágrimas cair, eu deixarei.

Não falo de tristeza aqui.
Falo do que você entenderá...

100 dias depois

Lembro daquela manhã;
Como se fosse essa....
Eu prepotente, e você antipática...
Uma conversa áspera por alguns minutos.

Bastou meia dúzia de palavras,
E meus planos caíram por terra;
Acho que o sublime disso tudo,
Vem daquela manhã...
Não sei o que buscava ao certo,
Mas na mesma tarde, via o meu acerto...

Você com seus cabelos lindos....
Essa elegância adocicada;
Tudo o que há de bom.

Acho que falei em 100 dias,
Como se pudesse programar meu coração...
E conquistar o teu...

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

O Único Lamento

Não vou falar de meus medos...
Concordo que há um cansaço coletivo nisso;
Em falar e em ouvir.
Chega de choros reprimidos.
De sonhos que não foram.

Prometi sorrir mais;
Mas meu fim de semana foi...

Não sei onde vamos...
Se alcançaremos aqueles planos;
Feitos em momento tão ímpar.
Sinceramente não sei;
Se meus hábitos te repelem;

Pode ter sido a meia furada;
Ou alguma coisa que fiz...
Mas meu fim de semana foi tão...
Pode ser algo da minha cabeça podre.

Acredito mais nessa opção.

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

(Possível) Perda

Essa (possível) perda, não posso lamentar...
Eu cresci, não posso chorar mais....
Devo mostrar força, e você quer ver isso...
Precisa de proteção...

Homem não chora, ou se esforça pra segurar...
Tento ser o melhor que nunca fui...
Naquele dia, me senti orgulhoso;
E isso foi bom.

Não vou te perder, jamais.
Não vou te esquecer, não posso.
Preciso de sua pele alva...
Macia e adocicada.

Posso falar que é Amor.
O mais puro e cafona Amor.
Mas não vou te perder...
Isso não depende de ti.

O que sinto, te faz viva aqui dentro...
Sei que nosso tempo é diferente...
Mas podemos passar um tempo juntos...
A vida pode separar corpos;
Mas não corações...

Posso falar que Amor.
Aquele Amor de algodão doce...
Que anda pelos parques....
Que faz caminhada pelas manhãs....

Mas não vou te perder...

Por volta das 15:00 horas

Pensei que havia dito tudo...
Que tivesse me explanado sobre nós;
Feito todas as perguntas...
Mas não aproveitei pra nada disso...

Estava tão ocupado em desvendar seus olhos;
Em cuidar do teu cabelo bom...

Eu também tive vontade...
De chorar junto com você;
De ficar mais um pouco...

Seus olhos apaixonados, me olhavam...
Informavam da loucura mútua;
Do que enfrentaríamos fora dali.
Seu gosto doce, ainda na minha boca...
Me desperta para um novo dia.

Um dia ensolarado, um dia de Paz...
Naquela tarde, eu estava nu de meus pecados...
Nu do que há de ruim;
Esperando apenas ser bem cuidado...

Falei do menino, da Santa...
Daquele escapulário...

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

9º Assalto

Quando acordo de manhã;
Lá vêm os meus Demônios...
Lembrar-me dos meus vícios,
Das minhas falhas...
Não sei ao certo. O que fiz de errado.

Mas errei lá atrás e vou errar lá na frente...
Sei que estamos errados...
Mas o que se sente é sério e nobre...
Nossa nobreza não é soberba...
Somos vilões inocentes...
E desprovidos culpados.

Não sei ao certo, onde vai nosso barco...
Talvez caia na primeira dobra de mar...
Ou vá longe ao fundo...

Você é a bonança....
Quando nada tenho por perto....
Quando sou sozinho acompanhado;
Quando me sinto morto por dentro.

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Ainda sem nome

Pode achar minha busca idiota;
Não é assim que colhe uma flor...
É preciso mais delicadeza, mas apreço.

Não tenho direitos;
Mas tive a ousadia...
De tentar ver uma flor de perto...
Esguia, bela, serena....

Meu estoque de qualidades acabou,
Mas ainda não esqueci teu rosto...
Seu sorriso contido...
Mas que iluminou uma tarde de trevas.

Pode achar isso tudo um acaso premeditado;
Uma tentativa de aproximação...
Não sei explicar;
Mas algo na manhã, me avisou que era importante.

Carta ao Romano

Não blasfemo o que não sei;
Procuro em todos os lugares;
Talvez nos mais obscuros e insólitos.
Não devo mexer com coisas que não sei controlar?

Alguém lá no começo me disse isso...
Aquela mulher baixa, com o cheiro tão bom.
Todo dia acordo temendo perdê-la.

O que eu acredito me reluta em assimilar,
Acredito piamente;
Mas ultimamente tenho acreditado em você.
Segundo “eu”, Ele deve estar triste.

Temo saber o que não quero saber;
“A cicatriz é cauterizada pelo tempo”
Ela também me disse isso...
Mas a minha: é um constante abre e fecha.
Eu ia te chamar, mas a mão transpira.

Muito tempo atrás, eu vi uma mulher...
Não era a dos conselhos;
Ela tava lá deitada, tranqüila...
Com seu vestido verde,
Suas rugas, seu sorriso
De tão lindo era macabro.

Será que eu a vi mesmo?

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

08:20

um olhar perdido;
um passo em falso...
talvez nunca descubram seus mistérios;
nem de onde vem o teu brilho fosco;

um sorriso contido.
uma lágrima que não caiu...

ainda...

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Título Provisório

A causa da minha luta, é viver;
Longe dos caminhos de espinhos,
Mas também longe dos louros de uma vitória falsa.
Alguém disse lá atrás, que venceria suando...

Vejo só derrota na sua “vitória”;
Você luta em busca de provar aos outros,
De que é melhor... Que todos eles.
A causa da minha luta, é nobre;
É minha e só minha...

Tudo o que há em mim, é meu;
Nada foi sugado, nem roubado.
As minhas dores são profundas....
Mesmo você tentando medi-las.
Com sua trena da insensatez.

Os meus que perdi, são meus.
Os demônios que coleciono, são meus;
São meus os sonhos nunca realizados.
São meus os caminhos nunca percorridos.


As culpas que carrego, eu coloquei nas costas.

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Três Pinheiros

Em algum lugar, eu via você...
Lá embaixo, no último degrau;
Eu senti minhas mãos fracas...
Não escrevo sobre sonhos.
Eu só precisava ser feliz...

Rabisquei seu muro essa noite.
Algo sobre amor, eu acho;
Ou sobre dor...
Não entendo você Amor.
Não preciso entender.

Em algum lugar, eu me senti sozinho.
Debaixo dos pinheiros;
O vento zunia minha cabeça cansada.
Eu tinha tantos amores, mas não tinha um coração.

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Tumulto

Não temas o desconhecido...
Nem sempre estive aqui.
Já caminhei por vales escuros;
Os campos floridos me encantaram...

Mas sempre me seduzo pelo enxofre;
Que impregna meus ossos...
Era pra ser algo bom...
Algo bonito, mas não tenho mais esperança em mim.
Nem em você, nem no cara lá atrás da mesa...

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Fratura Exposta

A mudança não foi dolorida;
Azeda sim, mas meus ossos são fortes.
Arrumei meus móveis velhos...
Vejo você presente naquela cortina...

Seu cheiro não se foi;
Nem seus esmaltes baratos.
Lavei bem meu olhos, via aquela imagem desfocada.

Mudar foi bom, a dor passou...
Apenas algumas coisas pendentes naquele saco;
Mas não sou exigente...
Sua dívida foi paga há muito...

Confissão

Aquele olhar de canto...
Ainda me consome;
O quê você profetizou?
Qual era a minha sentença recebida?
Fui te ver, já sabendo o quê se passaria logo mais.

Daquele dia em diante, não sei mais...
Se tivesse sido diferente?
Se você ainda estivesse aqui...

Me tornei isso, não por você...
É o escudo mais rijo que encontrei...
Você não pode me salvar...
Eu nunca estive perdido.

19ª teoria de suicídio

Nem sei mais da minha vida...
Isso que tenho não é vida;
Sem amigos; sem meus demônios...
O mais legal é o número 21...
Sempre com seus quadris me atormentando.


Acordo inchado na madrugada,
E ainda lembro do meu cão...
Minha fraqueza já foi mais forte.
Ela cuspia sangue pisado...
Vou atrás do vingador e me vingar.


Quando falei ontem daquela faca...
Nem pensava no que você via...
Realmente era amolada...
Cabo de madeira;
O gume fosco mostrava seu poder...


São 06:15, e já era pra eu ter acordado...
Mais um dia começa e não consegui...
Meu leite com Toddy está esfriando...
Ainda nem vomitei hoje...

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Sonho Branco

Estando suas coisas em cima da mesa....
Lhe trago pra junto de mim.
O herói que não fui, ninguém viu.
Naquela manhã, eu fui o melhor de todos os tempos...

O tempo, você teme tanto ele....
Seus planos pra mim, são ternos.
Não tema o que lhe posso fazer.

Não queria aquela lágrima...
Sei que você a segurou, por muito.
Minhas lágrimas viraram pedras....
Pesadas, sólidas e presentes.

Orgulho por ser eu, você me fez sentir.

O sonho que vivo hoje é sublime.

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

O Banquete

Perverso foi aquele sorriso.
Estava ferido e você sorria;
Eu não me importo...

Não me importo mais com essas coisas;
Não preciso de mais nada dessa vida.
Só uma cova funda e aconchegante;
Pra depositar a minha carcaça maldita.

Cansada, irônica e canalha.

Perversa foi a última pá de cal..
Branco e fino...
Alvo e lúcido, como a lança de um arcanjo;
Que arrebenta o peito;
Que atormenta a alma.

O perdão que preciso, ninguém pode dar.
O meu paletó rasgado, não precisa mais de remendos.
Só preciso de um copo de mercúrio;
Pra filtrar meu sangue sujo;
Antes que a terra comece o seu banquete.

Poeta Falhado

Deveria escrever sobre coisas boas...
Sobre esperanças; amores.
Sobre crianças sorrindo e brincando...

A moça até me criticou por isso.
Ser frustrado e mórbido...
Sombrio, desgastado.

Prometi tempos atrás; ser melhor.
Sorrir mais e fugir do lado podre da maçã;
Mas essa moça não tem direito.
Não tem direito de me perturbar...
Meus demônios estavam dormindo.

Sombrio é dizer “eu te amo”.
Sombrio é dizer “eu te amo”.
Sombrio é dizer “eu te amo”.
Sombrio é dizer “eu te amo”.

Esperando

Oh querida! Tentou me esfaquear...
De onde você surgiu?
Com seu hálito de café requentado...
Seus olhos inchados indicam...
O lugar onde esteve.

Dê-me um rumo; um norte nisso tudo.
Não vai cometer isso mais...
Não tema o que não viu... Nem sentiu...
Na sala de espera do inferno;
Eu vou te esperar...
Com minhas rosas flambadas...
E meu casaco impregnado pelo enxofre...
Do nosso ódio mútuo...
Por aquilo que ainda não avistamos...

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Final Feliz

Acabou...
Pensando bem o som, é até suave;
Sua pernas tremiam, seria o frio?
Vi seus dentes batendo ao celebrar o fim.
Antes eu lamentava ter perdido...
Em todo jogo há um perdedor.

Hoje não, Querida... Hoje não!

Vejo todo esse tempo; com nojo...
De não ter aproveitado seus quadris...
De não ter sido mais homem e te assumir.

Me sinto maior; mais capaz...
Bem melhor que no início.
Sem dinheiro pro cachorro quente...
Aquela obturação que me dói hoje.

Vejo essas cartas com cheiro de flor...
Sinto nojo de não ter escrito aquelas coisas.
Amanhã vou acordar, e mostrar a todos;
O pavor que senti ontem...

Sinto náuseas daquele teu perfume barato...
Mas que sempre funcionou...
Você conseguiu...

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

90, 62, 93

Foi o tempo das fotos;
Fotos feitas há tempos atrás.
Seus olhos brilham mais nelas;
Do que ontem na praça.

O rapaz de antes, chorou bastante.
Disse estar em transe, desde o dia do sorvete.
Acha isso certo?

Acabar com sonhos, que nem foram sonhados...

Foi o tempo das fotos...
Das suas pernas esguias...
Do seu busto intrigante...
Do seu sorriso perdido.

O rapaz de antes, morreu amanhã;
Mal sabe ele, o que o poeta sente.

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Depressão Induzida

hoje é meu último dia...
de solidão forçada, de choros falsos...

saio pela porta de frente;
enfim consegui me olhar na poça...
certas dores que escrevi antes;
não latejam mais esse músculo cansado...

meus raios de sol; hoje são brilhantes...
têm o brilho de uma estrela.
acaba aqui, com um ponto final essa farsa.

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Isabel

a tarde mais distante...
estaria perto, se fosse ontem...
naqueles cabelos de iemanjá...

mas certas oferendas,
sempre voltam...

naquela praia de ontem...
a tarde teimava em acabar;
antes do beijo dela, me presentear

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

7200 giros

Cinco dias... Cinco Sóis...
Cinco estrelas... Cinco lampejos...
Passou tão rápido... Aquele fecho de Luz....
Minha vida não tem mais sabor...

Mas o molho não tem o mesmo toque agridoce...
Acho que nunca comi o molho que eu quis...
A princesa sem dentes me exalta, me protege....
Sou assim antes dela,
Antes do primeiro...

Sou o meu o próprio diabo...

Preciso de cinco dias...
Precisava de uma estação inteira...
A flor Branca me surpreendeu....
Ela disse que foi a água...

Primeira Decepção

“Apareceu do nada”...
Assim você se refere a mim...
Eu sei das minhas falhas,
Até pensei pela manhã;
Que estávamos num caminho lindo...
Cheio de rosas brancas...

Estava na hora de uma decepção...
Sei do canto ruim....
Meus acordes são fracos...
Um guerreiro forte, sem armadura

Gostei do teu canto...
Mas sei onde posso remar...
Não me deixe de canto....
Por meu canto não te agradar....

Uma nova flor (ainda)

Veio Branca como a brisa...
Aquela brisa que nunca bateu em meu rosto...
Apareceu tenra como a flor...
Uma nova flor que ainda não reguei...

Ainda havia mais de uma primavera pela frente...
Planos que eu estabeleci...
Mas mesmo assim, você veio Branca...

Alva, lúcida (...) me fez bem...

Ainda sinto o cachecol que nunca senti....
Sei que permanece aqui....

85 centavos

Faltaram algumas moedas,
Aquele bolso furado, me pregou outra peça...
Fui confiante sabe, achei que você adoraria um sonho...

Fui rápido, no caminho eu vi aquela pessoa...
Ainda sofria como no primeiro dia...

Pra ser sincero, faltou vergonha mesmo!
Não deveria ter insistido, a moça não topou...
Continuo com as minhas preferências...

Sexta-feira, Agosto 31, 2007

O Menino

Caem por esses dias, meus últimos fios...
Os grisalhos foram embora com a rapidez da vinda;
Minha mente realiza o que o corpo refuga...

Quando menino, pensava em jornadas...
Minhas aventuras consistem em chegar rápido ao mictório....
Já não sei mais se está viva...
A minha covardia ainda dói....

Rezo pra Ele me levar logo....

Desabafo

Sempre ouço que você se corrompe...
Sempre enxugo seus momentos de crocodilo,
Já cansei de suas coxas grossas;
Roçando meu queixo...

Artigo para Satanás

Saia da minha casa... Do meu cobertor.
Já saí de muitos lugares, muitos mares...
Estou nessa e não páro por esses dias.
O escritor vem falando contigo?

(...) chega de expectativas falsas...
Seus olhos já foram aquilo um dia...
Chega de chegadas canceladas...

Saia da minha cabeça...
Seu tempo aqui acabou...

Estou nessa e não sei quando párar.

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

100 dias

Como sou idiota!
A ponto de querer você em meu castelo...
Não pretendia ter pretensões...
Apenas te amar...
Você me falou daquela perda...
Aquilo te fortaleceu...

Minhas tardes eram tristes e cinzas...

Certas cinzas apenas nos interrompem...

Como fui idiota...
Queria prender você em 100 dias...
Não suportei 1 sequer...
Queria seu sorriso aqui comigo...
Seu cachecol com aquele cheiro...
Agora sei, como fui idiota...

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

Sem título

Pois é, você me disse "pois é"...
Não ligou pras lágrimas derramadas...
Se preocupava tanto com o cabelo;
Eles são lindos mesmo...

Eu fui chamar o táxi... Enquanto você relaxava no sofá...
Reclamava do noticiário;
Reclamava do gato, e do estrago que havia feito...

No caminho eu rezava, pedia a Deus que me salvasse...

(...)

Agora o despertador toca...
São 06:00 da manhã...
E faz um mês que você foi embora...

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Ponto Final

Por esses dias, eu acabo com tudo...
Acabo com esse seu sorriso doce...
Depois esqueço dos seus cabelos lisos de chapinha...

Por esses dias, eu desisto do seu cheiro bom...
Mais tarde vou limpar meu cesto de roupas...
Não quero mais ter que ver aquele seu shortinho...

Já nem sinto falta do seu hálito doce no meu ouvido...
Nem das suas mãos lisas cuidando da minha gripe...

Não preciso mais de você...

Ressaca

Acordei nessa madrugada...
Um frio de cortar; os cachorros latindo na rua...
Andei até o banheiro, percebi meu vômito presente...
Enquanto limpava o chão, via a Lua...

Não sei ao certo o que houve,
Não sei se fui certo em te contar...
Prometemos não amar, não odiar...

Nunca vi o mar, mas poderia ser com você...

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

Amor Profanado!

Desdenhou desde sempre...
Do meu amor; dos meus dentes sempre à mostra...
Você procura um personagem, não um homem.
Desisti de muitas coisas... Ou elas desistiram de mim...

O medo que tinha... Foi embora contigo...
Esqueceu-se do meu nome; levou o seu Camões embora...

Quando seu amigo te fizer chorar... Lembre-se que eu...

Sempre banalizou minhas falas feitas...
Meu jeito de encarar a impossibilidade de ter seus quadris...
Meus dentes estalaram de raiva...
Se for embora, apenas vá... Não ria do meu amor, nem me chama de anjo...

Quando seu amigo te fizer chorar... Lembre-se que eu chorei ontem...

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Poema do Adeus

Naquele dia, eu precisava do teu batom borrado e dos teus braços finos;
Eles poderiam me salvar...
Ontem, eu não precisava dos seus olhos pequenos,
Olhando, dizendo: vou embora amanhã...
Você foi embora...
Hoje vou remar até o teu cheiro doce...
Até os teus quadris de boneca...

Terça-feira, Junho 12, 2007

Conversa com Paulo Henrique

A lua minguante; veio me acordar...
Pediu pra mim...
Mais paciência; enquanto frito o ovo...
Meu gato me olhava...
Se ajeitando em minhas canelas frias.

A cachaça de ontem ainda faz efeito.
Como um turbilhão, destrói o meu fígado...

Quatro minutos

Prometo uma coisa:
Rezar!
Pedir a Deus, mais um minuto de vida...
Que eu seja um bom homem.
Que o vento levante seus cabelos mais uma vez...
E que esse sorriso forçado, saía de seu rosto doce...

Prometo uma coisa:
Não chorar...
Ser menos tolo, e não brigar com você...
Enquanto se arruma e fica linda pra mim...


Deus já me deu mais três minutos além do que pedi...
Vou voltar pelos fundos...

Prometo uma coisa...
Numa próxima vida;
Dizer “eu te amo” pra você...

Segunda-feira, Junho 11, 2007